quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Empreendedora aposta em "professor-mãe" para ensinar crianças com dificuldades em aprender

Professora Elizabeth Polity (Foto: Divulgação) O Colégio Winnicott, fundado em 1997 por Elizabeth Polity, acolhe crianças que foram dispensadas de escola por dificuldades de aprendizado. A professora e terapeuta familiar Elizabeth Polity sempre gostou de ensinar – ainda mais crianças com dificuldades em aprender, e desde uma época em que distúrbios como a dislexia eram vistos de forma preconceituosa pela sociedade. Em 1996, a escola em que Elizabeth trabalhava dispensou todos os alunos com problemas no aprendizado. Esse comportamento fez com que a professora tomasse coragem, convidasse professores que trabalhavam com ela e criassem uma escola para as crianças preteridas. A ideia deu certo. Desde fevereiro de 1997, Elizabeth é a diretora do Colégio Winnicott, especializado na educação de crianças com dificuldades de aprendizagem causadas por fatores neurológicos, emocionais ou cognitivos, como dislexia, déficit de atenção, síndrome de Down e fobia escolar. Em 1996, Elizabeth era coordenadora em uma escola convencional, mas que também aceitava crianças com dificuldades. Na época, a mantenedora da instituição foi vendida para um grupo que queria transformar o colégio em um lugar de "alunos de elite". Por isso, todos aqueles que tinham algum problema foram dispensados. Ao ver as crianças sendo rejeitadas, Elizabeth convidou alguns professores da escola para abrir sua própria instituição. "A primeira reunião que fizemos para criar o Winnicott aconteceu no salão de festas do prédio de um professor. Convidamos os pais dos alunos dispensados e a reação deles foi muito positiva. Foi comovente", afirma ela. No dia 2 de fevereiro de 1997, o Winnicott foi aberto no Jardim Paulista, centro expandido de São Paulo. O nome do colégio foi inspirado no pediatra e psicanalista inglês Donald Winnicott. Ele criou o conceito da "mãe suficientemente boa", aquela que se mostra como um porto seguro ao filho, mas que diminui gradativamente a atenção à criança, a fim de estimular seu desenvolvimento. Tal conceito foi usado por Elizabeth para definir a dinâmica de ensino do Winnicott. O colégio tem "professores suficientemente bons", com condições de exigir o melhor dos alunos, mas sem deixar de ser uma figura de segurança para as crianças. "Autores como Freud afirmam que o professor pode atuar como um substituto da figura materna. Com afeto, o professor cria um contexto ainda mais favorável para a aprendizagem", diz a diretora. O Winnicott tem hoje 65 alunos, mas o número costuma variar entre 55 e 70 crianças. O ensino aborda todos os anos dos ensinos fundamental e médio. A metodologia de aprendizagem é individualizada, mas alunos com faixa etária e desenvolvimento intelectual semelhantes podem estudar em grupo. Neste caso as salas de aula têm, no máximo, seis crianças. Apesar de contar com profissionais preparados para o ensino de crianças com dificuldades, Elizabeth afirma que a mensalidade do Winnicott é menor que a de colégios particulares de elite, que não oferecem os recursos de seu colégio. Cada aluno paga R$ 2,5 mil, em média. Ao contrário do que normalmente se vê no mundo do empreendedorismo, a expansão do Winnicott não é a maior prioridade de Elizabeth. "Um número maior de alunos prejudicaria o acompanhamento individual dos alunos, que é de extrema importância para nós", afirma ela. Por fim, a diretora do Winnicott deixa uma mensagem para os pais de crianças com alguma dificuldade em aprender. "Apesar de muita coisa ter mudado, ainda há muita gente que não entende as dificuldades desses alunos. Peço para que os pais não sejam preconceituosos. Que abram a mente, pois essas crianças são absolutamente normais e têm muito a contribuir."

SEGUIDORES