sexta-feira, 4 de março de 2011

ESTUDAR COM OS AMIGOS PASSA A SER REGRA, E NÃO EXCEÇÃO!



Sim! Aquela discussão que tínhamos antigamente sobre ir estudar na casa do nosso amigo muda totalmente de perspectiva… e melhor ainda, agora temos um ótimo motivo para ficar grudados no computador !

Mas não sempre fizemos isso? E os nossos famosos trabalhos em grupo? Alguns autores fazem uma distinção interessante entre cooperação e colaboração. Na aprendizagem cooperativa cada um resolve a sua tarefa para depois juntar em um trabalho final. E na colaborativa? Nesta “indivíduos negociam e compartilham entendimentos relevantes à resolução do problema em questão…. A colaboração é uma atividade coordenada e síncrona, resultado de uma tentativa contínua de construir e manter um entendimento compartilhado de um problema” (Roschelle & Teasley, 1995).
Esse modelo de aprendizagem é discutido desde a década de 60. Vygotsky (1978) enfatizava “a importância do coletivo na construção de uma inteligência social baseada na interação do sujeito com outros indivíduos”. Mas é sem dúvida com o advento da internet e das redes que se abre um novo horizonte para sua exploração. Mais do que isso, os novos ambientes de aprendizagem a distância (LMSs) começam a embutir ferramentas específicas para esse fim, incorporando conceitos de redes sociais. Muitos podem pensar que seria mais um motivo de distração, mas o foco no uso da rede é em buscar auxílio no aprendizado, e não em estabelecer amizades. Ou seja, minhas afinidades passam a ser a busca de conhecimento comum, complementariedade de competências, compartilhamento de idéias.
Muda o comportamento do estudante, que passa a ser co-responsável pela aprendizagem de seu colega. Essa troca de idéias, essa experiência em ensinar não só aumenta o interesse como estimula em muito a aprendizagem. Para quem já ministrou uma palestra, uma aula, sabe o quanto tem que se estudar para poder ensinar! Pessoas que trabalham em modelos colaborativos retêm informação por mais tempo do que aquelas que estudam individualmente.
E o papel do professor? Passa mais para um mestre, um condutor, um árbitro nas situações de conflito. Parte das dúvidas passa a ser solucionada pelos próprios alunos (estudos mostram que em média 70% são resolvidas pelo grupo). Os modelos de avaliação também têm que ser radicalmente modificados, pois um teste que mede apenas a capacidade do indivíduo perde sentido. A colaboração, a interação social e a assistência tornam-se critérios importantes neste modelo de ensino.
Sem dúvida os mestres das siglas tinham que trabalhar e muito desse assunto está sob o chapéu de CSCL: Computer-supported Collaborative Learning. Em resumo, construção e compartilhamento de conhecimento tendo a tecnologia como meio primário de comunicação.
Quer dizer que, ao virmos alguém usando uma rede social, ele na realidade pode estar estudando? Sim! O mesmo vale para os serviços de mensagens instantâneas (MSN, Skype, Gtalk) e outras ferramentas de colaboração na web. Minha filha está no 6º ano e um de seus trabalhos deverá ser feito de forma totalmente virtual com seus colegas… e não é uma opção! Novos tempos, novos paradigmas.


Celso Roberti/IAS

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