terça-feira, 29 de março de 2011

Recomendo!

Alunos com Dificuldades ou Problemas de Aprendizagem?


Visualize agora a sua turma e responda rápido: você tem alunos com dificuldades ou com problemas de aprendizagem ? ! Se você ficou na dúvida, não se desespere, é compreensível , afinal com tantas nomenclaturas e definições controversas fica difícil encontrar o significado coerente para o termo.

Simplificando seria assim: um aluno com desordem neurológica ou psiquiátrica seguramente terá dificuldades para aprender qualquer coisa e consequentemente apresentará também problemas de aprendizagem em tudo o que for proposto. Já um aluno dito “normal” poderá ter problemas com a tabuada, pois não conseguiu elaborar corretamente o conceito da multiplicação, porém, se forem feitas as devidas intervenções pedagógicas esse mesmo aluno conseguirá superar este problema e seguirá adiante no que for ensinado.
Percebeu a diferença? Um problema de aprendizagem é temporário, já uma dificuldade de aprendizado é duradoura.
Na Escola encontraremos alunos com Deficiência Intelectual (capacidade intelectual inferior à média) , que apresentam dificuldade de aprendizado e alunos com problemas de aprendizado nos mais variados conteúdos.
O fato é que em uma turma de 40 alunos, existem 40 indivíduos com ritmos, interesses e fisiologia distintos uns dos outros e portanto, jeitos diferentes de aprender. Esses “jeitos diferentes de aprender” são também conhecidos como Estilos de Aprendizagem que nada mais são que o modo como esse indivíduo se comporta enquanto está aprendendo .


Os estilos de Aprendizagem são:


- Cinestésico: quando se utiliza da expressão corporal e a manipulação de objetos


- Visual: quando é utilizado textos, livros, gráficos, fotos, diagramas, desenhos, provas escritas


- Auditivo: quando é utilizado fala, sons e músicas


Encare do seguinte modo, ao adotar um determinado estilo de aprendizagem estou escolhendo a melhor forma de processar o conhecimento novo que estou recebendo. Assim ao conhecer o estilo de uma pessoa você saberá qual será a forma mais fácil e a mais difícil dela processar qualquer conhecimento.
Na Escola somos cobrados dentro de um único estilo: o Visual, assim todos os alunos que se enquadram neste estilo, seguramente tirarão excelentes notas. Já os alunos “cinestésicos” e “auditivos” terão os tão conhecidos problemas de aprendizagem.
Já estou até vendo você perguntando: “Como então trabalhar na mesma sala com os dois grupos” ? Fazendo, conforme diz Perrenoud, a “diferenciação pedagógica”. Ou seja, elaborar atividades que contemple os três estilos de aprendizagem. Pegando o exemplo da tabuada, o Professor pode ensinar a multiplicação cantando, criando jogos com a manipulação de objetos, utilizando exercícios escritos, jogos de computador.
E os alunos com deficiência intelectual? Também serão beneficiados com a diferenciação pedagógica, já que não se sentirão discriminados pois estarão realizando atividades com diferentes graus de desafio.
Como levantar os estilos de aprendizagem dos meus alunos ? Observe no dia a dia na hora da execução das tarefas, quais são os momentos, ou em quais atividades determinados alunos mostram-se mais eficientes em realizar a tarefa dada.
Quando um conteúdo novo é apenas explicado quantos de fato conseguem compreender o que foi ensinado. Ao ajustar esse mesmo conteúdo e apresentar dentro de outro estilo de aprendizagem quantos alunos conseguem compreender ? Anote esses dados e faça o mapeamento da sua turma, você ficará surpresa com os resultados.
Elaborar aulas levando em conta os estilos de aprendizagem e criar atividades diferenciadas dá trabalho ? A minha resposta é: Muito mais trabalho dá, ter de lidar com problemas de aprendizagem, pois tanto o aluno quanto o professor ficam frustrados, extenuados e desmotivados, o que acaba gerando uma carga emocional negativa com todo o grupo.
Já com o uso da diferenciação pedagógica, respeitando os diferentes estilos de aprendizagem do grupo, as aulas transcorrem de modo mais vibrante, em constante movimento de trabalho e alegria. Afinal, desta forma, todos se vêem como capazes e inteligentes.
Lembre-se, ao trabalhar dentro de um único estilo o professor acaba favorecendo o aparecimento dos problemas de aprendizagem.

sábado, 5 de março de 2011

Alfabeto Braille


O Braille é composto por 6 pontos, que são agrupados em duas filas verticais com três pontos em cada fila (cela Braille). A combinação desses pontos forma 63 caracteres que simbolizam as letras do alfabeto convencional e suas variações como os acentos, a pontuação, os números, os símbolos matemáticos e químicos e até as notas musicais. Para os cegos poderem ler números ou partituras musicais, por exemplo, basta que se acrescente antes do sinal de 6 pontos um sinal de número ou de música.

Como fazer a inclusão


By Roseli Brito


Diariamente recebo e-mails de Professores que desabafam suas angústias e desespero por não saberem como trabalhar com crianças ou jovens que apresentam alguma necessidade especial. Na pesquisa realizada com Coordenadores também foram relatadas várias inquietações referente a esse tema.


Infelizmente, a Universidade não prepara o Professor para lidar com essas crianças, por outro lado a Escola também não contempla, na formação continuada, dar conta desta questão e capacitar os Professores e Funcionários de Apoio para de fato tornar a inclusão uma realidade.

Mas de que inclusão estamos falando? Saiba que matricular a criança e fisicamente garantir uma carteira dentro de uma sala de aula NÃO é inclusão ! Fazer a equivalência idade/série sem contemplar o devido apoio pedagógico também NÃO é inclusão. Tentar enquadrar a criança ou jovem no mesmo nível pedagógico que os demais alunos também JAMAIS será inclusão.

Vivemos em um mundo real e por esta razão é preciso analisar o contexto atual em que estas crianças são recebidas: salas de aula lotadas, um único Professor, sem a devida capacitação para lidar com nenhum tipo de deficiência, a equivalência idade/série que acaba promovendo apenas a inclusão social, já que a criança ou jovem convive com outras crianças da mesma idade cronológica, porém há que atentar que a idade mental, dependendo da deficiência, não contemplaria nem mesmo esta “inclusão social”.

Ainda há a situação em que todos os anos muitas Escolas são surpreendidas com o recebimento de alunos com necessidades especiais (com paralisia cerebral, limítrofes, ou algum tipo de síndrome), sem que tivessem sido informadas de tal fato pelas famílias. Por outro lado, a família, com receio de não conseguir a vaga, omite as reais necessidades da criança, deixando assim, a Escola sem subsídios para iniciar o trabalho pedagógico. Saiba que esta situação é mais comum do que parece.

A SURPRESA:

Nos primeiros dias a Professora observa que aquela criança não interage com as demais crianças, demonstra comportamento diferente para a idade, e não se desenvolve no seu aprendizado. As tarefas que a criança realiza estão muito aquém do grupo, ou então a criança nada realiza em todo o período que fica na Escola. As notas estão sempre abaixo do esperado, o comportamento é agressivo, ou indisciplinado, desestabilizando todo o grupo.

O QUE FAZER?

A família começa a cobrar os resultados da Escola e da Professora . A Escola por sua vez, não dispõe de informações, laudos e diretrizes que possam nortear o trabalho pedagógico. Se você tem algum aluno nesta condição, aqui vão algumas sugestões que podem ajudar:

- Convocar a família para uma Reunião e solicitar pos escrito: Avaliação Psicológica, Neurológica ou outras que julgar necessárias,
- Dar um prazo para a família entregar o parecer médico na Escola,
- Encaminhar o aluno para as terapias, caso a criança ainda não esteja realizando, conforme os laudos recebidos;
- Solicitar cópia do Receituário para verificação de quais medicamentos o aluno faz uso, pois muitos deles ocasionam mudança de comportamento e interferem na atenção, ocasionando lentidão de aprendizado e memória, bem como agitação,
- Levantar, junto a família, qual é a rotina do aluno, pois os familiares de crianças especiais tendem a ser permissivos, assim, eles crescem sem regras, disciplina ou boas maneiras;
- Atualizar o prontuário do aluno com todo o registro (cópias) de diagnósticos de especialistas tais como: Neurologista, Psiquiatra, Psicólogo, Fonoaudiólogo, Psicopedagogo, Terapeuta Ocupacional e outros, conforme o caso;
- Estude sobre a deficiência do seu aluno, aprenda sobre suas características e sintomas, de modo a saber detectar quais comportamentos acompanham determinada deficiência, para que você tenha mais elementos e possa distinguir o que é da doença e o que é falta de disciplina e educação ;
- Solicite Relatórios periódicos das terapias que a criança estiver realizando, se possível mantenha contato direto com o Especialista em questão;
- Caso a família fique protelando indefinidamente as providências que o Professor solicitou, acione o Conselho Tutelar e alegue que a família está sendo negligente com as necessidades da criança.

Após tudo isso feito e levantado, chega a hora de:

- criar plano de curso específico e bem variado para as necessidades de cada aluno, para isso consulte as Diretrizes Curriculares para Educação Especial e os PCNS.
- criar plano de rotina/disciplina para que a família implante no lar
- entrar em contato periódico com os profissionais que fazem a terapia do aluno para fazer o acompanhamento da evolução do mesmo.
- criar uma rotina na escola e sala de aula, o que exigirá paciência e persistência
- promover a inclusão social (com os demais alunos), física (adequar as instalações físicas), pedagógica (atividades diferenciadas e focadas nas necessidades do aluno)
- na impossibilidade de realizar o que está sendo exposto, cobre do poder público o que estabelece a LDB no seu artigo 58 e 59.

sexta-feira, 4 de março de 2011

ESTUDAR COM OS AMIGOS PASSA A SER REGRA, E NÃO EXCEÇÃO!



Sim! Aquela discussão que tínhamos antigamente sobre ir estudar na casa do nosso amigo muda totalmente de perspectiva… e melhor ainda, agora temos um ótimo motivo para ficar grudados no computador !

Mas não sempre fizemos isso? E os nossos famosos trabalhos em grupo? Alguns autores fazem uma distinção interessante entre cooperação e colaboração. Na aprendizagem cooperativa cada um resolve a sua tarefa para depois juntar em um trabalho final. E na colaborativa? Nesta “indivíduos negociam e compartilham entendimentos relevantes à resolução do problema em questão…. A colaboração é uma atividade coordenada e síncrona, resultado de uma tentativa contínua de construir e manter um entendimento compartilhado de um problema” (Roschelle & Teasley, 1995).
Esse modelo de aprendizagem é discutido desde a década de 60. Vygotsky (1978) enfatizava “a importância do coletivo na construção de uma inteligência social baseada na interação do sujeito com outros indivíduos”. Mas é sem dúvida com o advento da internet e das redes que se abre um novo horizonte para sua exploração. Mais do que isso, os novos ambientes de aprendizagem a distância (LMSs) começam a embutir ferramentas específicas para esse fim, incorporando conceitos de redes sociais. Muitos podem pensar que seria mais um motivo de distração, mas o foco no uso da rede é em buscar auxílio no aprendizado, e não em estabelecer amizades. Ou seja, minhas afinidades passam a ser a busca de conhecimento comum, complementariedade de competências, compartilhamento de idéias.
Muda o comportamento do estudante, que passa a ser co-responsável pela aprendizagem de seu colega. Essa troca de idéias, essa experiência em ensinar não só aumenta o interesse como estimula em muito a aprendizagem. Para quem já ministrou uma palestra, uma aula, sabe o quanto tem que se estudar para poder ensinar! Pessoas que trabalham em modelos colaborativos retêm informação por mais tempo do que aquelas que estudam individualmente.
E o papel do professor? Passa mais para um mestre, um condutor, um árbitro nas situações de conflito. Parte das dúvidas passa a ser solucionada pelos próprios alunos (estudos mostram que em média 70% são resolvidas pelo grupo). Os modelos de avaliação também têm que ser radicalmente modificados, pois um teste que mede apenas a capacidade do indivíduo perde sentido. A colaboração, a interação social e a assistência tornam-se critérios importantes neste modelo de ensino.
Sem dúvida os mestres das siglas tinham que trabalhar e muito desse assunto está sob o chapéu de CSCL: Computer-supported Collaborative Learning. Em resumo, construção e compartilhamento de conhecimento tendo a tecnologia como meio primário de comunicação.
Quer dizer que, ao virmos alguém usando uma rede social, ele na realidade pode estar estudando? Sim! O mesmo vale para os serviços de mensagens instantâneas (MSN, Skype, Gtalk) e outras ferramentas de colaboração na web. Minha filha está no 6º ano e um de seus trabalhos deverá ser feito de forma totalmente virtual com seus colegas… e não é uma opção! Novos tempos, novos paradigmas.


Celso Roberti/IAS

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